O Brasileirão atingiu o número de 13 dos 20 clubes sendo patrocinados por empresas do setor de apostas esportivas. O último acordo foi celebrado em julho, quando o Vasco assinou com a Sportingbet até o fim de 2027. Os valores dos contratos somados chegam a R$ 1 bilhão.
Além do Vasco (Sportingbet), Flamengo (Betano), Fluminense (Superbet), Botafogo (Vbet), Palmeiras (Sportingbet), Corinthians (Esportes da Sorte), São Paulo (Superbet), Santos (Novibet), Chapecoense (ZeroUm), Cruzeiro (Betnacional), Atlético (H2Bet), Vitória (7K Bet) e Remo (Vaidebet) são os clubes que, atualmente, contam com patrocínios de empresas de apostas esportivas. Ao todo, são 65% dos clubes da Série A.
“O fenômeno de flight to quality inflaciona os patrocínios máster no futebol brasileiro por meio de dois fatores: os clubes buscam valorizar seus melhores ativos estratégicos, enquanto as casas de aposta aumentam seus investimentos para sobreviver à depuração do mercado”, explica Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol, com atuação nas áreas de reestruturação financeira e operacional.
Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do Conselho da Ana Gaming Brasil, holding que administra a marca 7K Bet (patrocinadora do Vitória), defende a publicidade de empresas de apostas esportivas no esporte. “Entendemos que a publicidade responsável é parte da solução, pois informa o consumidor, além de criar uma clara distinção entre operadores licenciados e não regulados e fortalece a confiança no setor. Regras claras e proporcionais são importantes para proteger o público e consolidar um mercado transparente e sustentável para todos os envolvidos”, afirma o executivo.
O entendimento sobre a regulamentação do negócio é um tema importante. Segundo Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming Brasil, “o setor ainda está lidando com movimentos como o aumento da tributação, que não estava previsto e exigiu que estratégias fossem repensadas. Os investimentos no esporte seguem como um ativo constante e estratégico para o setor, o que inclui acordos com clubes, competições e presença em programas esportivos na TV e no digital”, analisa.
Flamengo tem o maio contrato de patrocínio do Brasil – Adriano Fontes/Divulgação/Flamengo
Menos patrocinadores, mais dinheiro
O número de patrocínios caiu em relação a 2025, quando 19 dos 20 clubes da Série A contavam com patrocínio de casas de aposta, mas isso não quer dizer que o mercado tenha deixado de investir no esporte, pelo contrário. Para especialistas do setor, a própria maturidade da indústria e o aumento da carga tributária ao final do último ano podem ter contribuído para uma percepção de queda, mas que não se confirmou ao longo dos últimos meses.
“É um indício de que os investimentos vão ficar concentrados em menos empresas. Na prática, o que aconteceu é que teve um investimento inicial grande de várias empresas, mas é um mercado que está se provando e passa por um processo de amadurecimento, e é natural essa diminuição. Além disso, não podemos deixar de notar que toda a estrutura veio com muita insegurança jurídica em menos de um ano de mercado regulado, com aumento de imposto e outras complexidades regulatórias. Tudo isso, naturalmente, cria fricção no negócio, seja algo positivo ou negativo”, explica Pietro Cardia Lorenzoni, diretor jurídico da ANJL e sócio do escritório Betlaw.
“O momento de euforia pré-regulamentação passou. O mercado continua em expansão, mas de forma mais lenta e racional, com decisões de marketing baseadas em análise e retorno, aproximando as casas de apostas da lógica dos investidores tradicionais do esporte”, explica Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.
Valores estimados dos patrocínios por ano
- Flamengo (Betano) – R$ 268,5 milhões
- Corinthians (Esportes da Sorte) – R$ 150 milhões por ano, podendo chegar a R$ 200 milhões anuais com bônus por metas esportivas
- Palmeiras (SportingBet) – R$ 100 milhões por ano, podendo chegar a R$ 170 milhões anuais com bônus e metas
- São Paulo (Superbet) – R$ 90 milhões por ano, podendo chegar a R$ 115 milhões anuais com bônus e metas
- Atlético (H2Bet) – R$ 60 milhões por ano
- Fluminense (Superbet) – R$ 58 milhões por ano, podendo chegar a R$ 86 milhões anuais com bônus e metas
- Vasco (Sportingbet) – R$ 50 milhões fixos até o final da temporada, podendo chegar a R$ 100 milhões anuais com bônus e metas
- Botafogo (Vbet) – R$ 55 milhões
- Cruzeiro (Betnacional) – R$ 50 milhões por ano
- Santos (Novibet) – R$ 35 milhões por ano, podendo chegar a R$ 50 milhões anuais com bônus e metas
- Vitória (7K Bet) – R$ 20 milhões por ano
- Remo (Vaidebet) – R$ 12 milhões por ano
- Chapecoense (ZeroUm) – R$ 10 milhões por ano







