Atual campeão da Premier League 2025/26, Mikel Arteta começa mais uma temporada no comando do Arsenal. Na outra potência de Londres, Xabi Alonso desembarca no Chelsea para tentar levar os Blues à glória após período de baixa do clube. Já em Liverpool, Andoni Iraola chega para substituir Arne Slot.
Arteta nasceu em San Sebastián, Alonso em Tolosa e Iraola em Usurbil. Separadas por poucos quilômetros, as cidades fazem parte de Gipuzkoa, uma província do País Basco de cerca de 700 mil habitantes no extremo norte da Espanha.
Mapa do País Basco e suas regiões – Wikimedia
Os três ainda dividiram parte da formação no Antiguoko, um clube amador de San Sebastián, a terceira maior da comunidade autônoma basca. A região, porém, é o berço de outros grandes treinadores, como Unai Emery, que nasceu em Hondarribia, também em Gipuzkoa, e comanda o Aston Villa.
Os destaques do País Basco
A conta segue com outros personagens importantes à beira do campo. Juanma Lillo, natural de Tolosa, é considerado um dos maiores influenciadores da escola moderna de treinadores e uma referência intelectual para Pep Guardiola, Julen Lopetegui nasceu em Asteasu e José Luis Mendilibar, vencedor da Liga Europa pelo Sevilla e da Conference League pelo Olympiacos, é de Zaldibar.
Luis De La Fuente, hoje técnico da Espanha, jogou e treinou o Athletic Bilbao – Divulgação / Athletic
A influência basca também se espalha para além dos clubes e chega na atual campeã da Copa do Mundo de 2026. O recente sucesso da seleção espanhola tem raízes na região, com Luis de la Fuente, que apesar de nascido em Haro, na região de La Rioja, passou boa parte da carreira como jogador e treinador ligado ao Athletic Bilbao.
Em campo, ainda havia nomes como Unai Simón, Mikel Merino, Nico Williams, Martín Zubimendi e Mikel Oyarzabal, que nasceram ou foram formados no País Basco. No entanto, há uma questão: como uma região com pouco mais de dois milhões de habitantes consegue produzir tantos treinadores e jogadores de elite?
A política dos clubes e os bons meio-campistas
Parte da explicação passa pela forma como o futebol foi desenvolvido na região, especialmente com Athletic Bilbao e Real Sociedad, os dois principais clubes. No caso do Athletic, a tradicional política de utilizar apenas jogadores ligados à região transformou as categorias de base em uma obrigação para ser possível competir na elite, ainda que de forma impossível diante de gigantes como Real Madrid e Barcelona.
Embora sem as restrições impostas pelo rival de Bilbao atualmente, a Real Sociedad seguiu o caminho da exclusividade até 1989. Assim, historicamente apoiada na formação de talentos locais, a equipe de San Sebastián teve boa parte de suas melhores gerações a partir de Zubieta, seu centro de treinamento.
Xabi Alonso enquanto treinador do Bayer Leverkusen – EFE
Curiosamente, dois dos expoentes bascos no mundo dos técnicos, foram meio-campistas de alta qualidade. E Xabi Alonso é talvez o exemplo mais evidente, pelo destaque como atleta e agora como técnico. Meia privilegiado pela visão de jogo, capacidade de controlar o ritmo das partidas e precisão dos passes longos, levou algumas ideias para seus times, partindo dos conceitos do Jogo de Posição, com certo hibridismo.
Arteta, também um bom meia, se fez treinador com influências bem mais claras de sua carreira em campo. Formado na escola catalã do Barcelona e influenciado pelo trabalho ao lado de Pep Guardiola também no Manchester City, o treinador do Arsenal busca mais controle da escola posicional, com modelo que privilegia a ocupação dos espaços e a construção paciente das jogadas, em um perfil de time em que “ele mesmo” se encaixaria.









